Saiba mais sobre a história de Jacareí...

História da Cidade

O município de Jacareí ocupa uma área de 460,073 Km², sendo 80% rural, 13% urbanizada e 7% inundada, localizada na bacia do Rio Paraíba do Sul. A população jacareiense é predominantemente urbana, perfazendo 95% da população total de 191.291 habitantes (IBGE, 2000).

Primeiros Povoadores:

A região do Vale do Paraíba foi ocupada por grupos indígenas das famílias lingüísticas tupi-guarani e jê, conforme relatos de cronistas e viajantes dos séculos XVII, XVIII e XIX, como também pelos estudos históricos e arqueológicos. Os grupos tupi-guaranis habitaram Jacareí entre 1000 e 500 anos atrás, segundo pesquisas arqueológicas mais recentes. Esses povos ocupavam platôs próximos ao curso dos rios. Moravam em aldeias compostas por várias cabanas circulares e plantavam mandioca, milho, feijão, entre outras culturas de subsistência, praticando agricultura de coivara. Para transportar, armazenar e cozinhar esses alimentos eles desenvolveram a cerâmica. Também eram caçadores e pescadores, além de grandes canoeiros.

Período Colonial:

Durante o período colonial, os paulistas foram ocupando o interior, explorando a mão de obra indígena e procurando fontes minerais.

Nesse contexto, formou-se o povoado de Jacareí em terras pertencentes à Vila de Mogi das Cruzes. Em 1652, há notícias da fundação de Jacareí por iniciativa de António Afonso e seus filhos e agregados, provavelmente pelas dificuldades geográficas do caminho entre Mogi dás Cruzes e o litoral. No ano seguinte, em 24 de novembro de 1653, houve a elevação a Vila, denominada Nossa Senhora da Conceição do Paraíba.

Nos primeiros anos de povoamento de Jacareí a base econômica era o cultivo de algodão, milho, mandioca e criação de porco e de gado, para subsistência e pequeno comércio.

A descoberta do ouro nas Minas Gerais no século XVIII fez da região do Vale do Paraíba importante rota entre o interior e o litoral. Mas, com a diminuição da exploração do ouro, o plantio da cana de açúcar tornou-se uma alternativa econômica para a região, adotando a mão de obra escrava africana.

Cultura do Café:

No início do século XIX, com a cultura cafeeira, houve uma dinamização da economia na região do Vale do Paraíba. Em Jacareí, o café transformou a Vila, trazendo melhorias urbanas. Houve a elevação à categoria de cidade, em 03 de abril de 1849. O acréscimo significativo do trabalho de negros escravos no plantio do café produziu riqueza para os “Barões”, alem do tráfico negreiro, importante feche fonte de acumulação e circulação de capital.

O núcleo urbano inicial de Jacareí expandiu-se com a instalação da ferrovia, em 1876. Ma cidade foram construídas a Santa Casa de Misericórdia, a Ponte sobre o Rio Paraíba, o Mercado Municipal, casarões de famílias abastadas, assim como inaugurados o Teatro e o Hipódromo.

Industrialização e Crescimento Urbano:

Após a abolição da escravatura, em 1888, e o advento da República, em 1889, em Jacareí ocorreu a formação de um pólo fabril, consolidando o trabalho assalariado. Essa mão de obra operária formou-se por ex – escravos e imigrantes europeus. Os imigrantes japoneses atuaram na agricultura, enquanto os sírios - libaneses se direcionaram para as atividades comerciais.


O crescimento urbano intensificou-se com as fábricas têxteis instaladas nas primeiras décadas do século XX e a rodovia SP-66 (Estrada Velha Rio – São Paulo). Esses fatores fizeram com que a cidade crescesse em áreas próximas a esses eixos.

A partir de 1950, houve uma aceleração da industrialização, com a vinda de empresas de grande porte e grupos multinacionais. Conseqüentemente, aumentaram as oportunidades de emprego, atraindo trabalhadores do próprio Vale do Paraíba e região Sudeste e, posteriormente, d região Nordeste.

A inauguração da Rodovia Presidente Dutra, em 1951, a instalação de industrias nas margens dessa Vila, e a valorização de terras na região central levaram à formação de bairros populares distantes do centro. As classes mais privilegiadas ocuparam as áreas mais altas em torno do centro e, posteriormente, as áreas de várzea, não inundáveis após a construção da Represa de Santa Branca, em 1960.

O processo de crescimento urbano deu-se de forma acentuada até a década de 70, decorrente de um novo parque industrial e da migração, sendo constante até a atualidade. Nesse contexto, emergiram os problemas das moradias populares, da insuficiência de equipamentos urbanos na periferia e da violência urbana.

Nas décadas de 80 e 90, o parque industrial diversificou-se e cresceram os setores de serviços e comércio, ocupando respectivamente 36% e 60% da população economicamente ativa.

Atividade Cultural em Jacareí:

A cultura em Jacareí, até a primeira metade o século XIX era o próprio fazer cotidiano dos indígenas, dos negros africanos e europeus aqui e dos descendentes desses grupos, resultando em uma ampla diversidade cultural (no campo da musicalidade, da religião, do vestuário, da lingüística, do trabalho, etc.).

A partir do apogeu do primeiro cafeeiro às primeiras décadas do século XX, foram sendo criados equipamentos e veículos culturais em Jacareí, como teatro, jornais, cinemas, rádio e reafirmadas as festividades religiosas. Essa promoção cultural teve como características o seu vínculo com famílias jacarienses e a Igreja Católica.

Na década de 60, criou-se o Conselho Municipal de Cultura Artística com o objetivo de fomentar as ações culturais do município, Na década seguinte, o Departamento de Educação e Cultura promoveu vários eventos dentre eles o Festival de Música Popular (Fempo), que havia sido criado na Escola "Francisco Silva Prado".

No final da década dê 70, houve uma preocupação com o patrimônio cultural da cidade, que resultou na criação do Museu de Antropologia do Vale do Paraíba (MAV). Na década de 80, a Fundação Cultural foi criada, voltando-se durante dez anos para os trabalhos de recuperação do edifício Solar Gomes Leitão (sede do MAV), formação do acervo do museu e exposições.

Até 1993, as atividades referentes às modalidades artísticas estavam sob responsabilidade do Departamento de Cultura, vinculado à Secretaria de Educação e Cultura. Desde então, a Fundação Cultural de Jacarehy "José Maria de Abreu" passou a ser o principal agente articulador da cultura local.

Trecho do Documento de Criação da Vila de Jacareí:

"Aos vinte e um dias do mês de Novembro de mil seiscentos e cinqüenta e três anos, em casas do Capitão Diogo de Fontes, todos juntos os moradores da Paraíba, apareceram com o dito Capitão Diogo de Fontes, diante do Capitão mor Bento Ferrão Castelo Branco, que presente estava, e por ele foi dito e requerido ao dito senhor que sua Mercê lhe mandasse fazer uma Vila. e levantar Pelourinhos em nome de sua Majestade, pois eram bastante para o poder fazer, visto serem pobres e suas mulheres e filhos não poderem acudir à Vila de Mogy- Mirim, por ser o caminho muiío longe e não terem passagem para poderem levar suas mulheres e filhos a ouvirem a Missa juntamente por carecerem seus filhos de Água de Batismo, e que da parte de Sua Majestade, (he requeriam, o que visto pelo dito senhor seus requerimentos serem justos, lhe respondeu que se o Sitio fosse capaz e suficiente para se poder fazer Vila e levantar Pelourinho o faria, e de como assim requereram fiz este termo que todos assinaram com o dito Senhor, e eu Jorge de Sousa Pereira, Tabelião do Publico Judicial e Notas da Vila de Santa Anna das Cruzes de Mogy-Mirim, o escrevi por mandado do dito senhor Bento Ferrão Castelo Branco - António Agostin - Domingos Afonço - Diogo de Fontes (...). E logo pelo dito capitão mor em os vinte e dois dias do mês de novembro do dito ano, se pôs a caminho com os ditos moradores e veio ver o Sítio e paragem que os tais pediram se levantasse a dita Vila na forma atrás nomeada (...). E logo vindo o dito Capitão mor desta Capitania dito Bento Ferrão Castelo Branco de donde alevantou a Vila de Nossa Senhora da Conceição da Paraíba em pousada de António Agostin, onde todos se achavam presentes ali morando, ele Capitão mor a eleição na conformidade que sua Majestade ordena, para que na dita Vila se celebrassem Justiça de Sua Majestade, e aí procederam a eleição de Juiz Ordinário, Vereadores e Procurador da Câmara, que prestaram juramento e prometeram obediência ao Marquês de Cascais. Donatário, e ao Alcaide mor desta Capitania de São Vicente (...)". (extraído do livro Nossa Senhora da Conceição de Jacarehy, 1990)


Bibliografia:

• BRAGA, Theophilo de Almeida Costa. Anuário Histórico-Literário de Jacarehy. Casa Minerva, 1906.

• CALI, Plácido. Sítio arqueológico Rio Comprido / e seu contexto no Vale do Paraíba. Jacaréí: Jacareí:
Mirante do Vale, 1999.

• DENNIS NETTO. João Baptista Pé/as ruas da cidade. Jacareí: Semanário. 1996.

• LENCIONI, Benedicto Sérgio. O negro na história de Jacareí (da senzala ao preconceito).

• Aparecida: B. S. Lencioni, 1989. Jacareí e as questões controvertidas.

• Aparecida: B. S. Lencioni, 1994.

• LENCIONI, Célio. Jacareí- viajantes e cronistas. Aparecida: C. Lencioni, 1991.

• MOURA, Eliseu Ribeiro de. A expansão urbana dos municípios de São José dos Campos e Jacareí. São José dos Campos: Universidade do Vale do Paraíba / Instituto de Ciências Humanas e Letras, 1997. Trabalho Final de Graduação.

• Nossa Senhora da Conceição de Jacarehy. Jacareí: Papel Simâo, 1990.

• Prefeitura Municipal de Jacareí, Secretaria de Planejamento. Plano Diretor - Jacareí, 2002.

• ROBRAHN-GONZÁLEZ, Érika M., ZANETTINl, Paulo Eduardo. Jacareí às vésperas do descobrimento - a pesquisa arqueológica no sítio Santa Maria. Jacareí: Mônaco Siani Eng. E. Par. Ltda., 1999.

• SAMPAIO, António Gomes de Azevedo. Abolicionismo (edição de 1890). Jacareí: Prefeitura Municipal de Jacareí / Departamento de Educação e Cultura. 1980.

Artigo incluso dia 04/01/2006

 
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04/01/2006
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